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Hélio Liborio

Pitaco

O Naufrágio Anunciado da Gestão

Português

Estamos diante de uma administração pífia, que habita a própria solidão no meio de um turbilhão de demandas que não sabe, ou não quer, atender. A gestão municipal de Alagoinhas tornou-se uma caricatura impopular, um espécime de desorientação política que flutua à deriva em um mar de dívidas e promessas descumpridas. É um espetáculo dantesco ver uma cidade do porte de Alagoinhas submetida à mediocridade olímpica de figuras que ocupam cadeiras sem compreender a liturgia do serviço público. A cidade não apenas clama por rumo; ela agoniza sob o peso de um projeto mefistofélico de poder, onde cada pasta se tornou um feudo particular. O que se desenha nos postos de saúde e nas ruas esburacadas é o reflexo da vacuidade intelectual que tomou conta do Palácio. É um anacronismo administrativo onde a solução para a incompetência é a criação de novos cargos para contemplar esta ou aquela bandeira partidária. Os artistas da cultura, os desportistas do futebol amador, todos se tornaram vítimas dessa arrogância pueril de um governo que, cego, caminha com a cara para cima, recusando-se a pedir ajuda ou a olhar para o mapa da realidade. É a apoteose do descaso, um labirinto onde a saída foi selada pela falta de transparência e pela ganância dos acordos de campanha que agora cobram o seu preço em suor e descrédito do povo. Ao final, resta o espelho. A cidade é o reflexo da escolha coletiva. Se este governo é uma lastimável combinação de figuras em campo de batalha pessoal, que ao menos o eleitor compreenda que a responsabilidade não se esgota no momento em que a urna é selada. A omissão é a forma mais perversa de aprovação da desgraça. Alagoinhas não merece a mediocridade, mas enquanto a população persistir no papel de expectadora muda deste desgoverno, o 04 de outubro será apenas o prenúncio de mais quatro anos de um naufrágio anunciado, onde os músicos não tocam, os atletas não jogam e a administração apenas assiste ao tempo passar, solitária e alheia, na sua multidão de incompetências.

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