O espetáculo da política brasileira, em sua versão de abril, assemelha-se a uma feira de vaidades onde o futuro da nação é frequentemente trocado por moedas de conveniência. O “trampolim político” é o nome elegante para uma dança de cadeiras que prioriza a sobrevivência individual em detrimento da coesão coletiva. O que se vê nas manchetes sobre renovação é, em sua maioria, uma maquiagem institucional. A verdadeira renovação exigiria um desapego do poder que a classe política atual não parece disposta a exercitar, preferindo a segurança das emendas e a certeza do confronto polarizado.
A polarização, inclusive, tornou-se o grande produto de exportação das redes sociais para a realidade cotidiana. Ela é útil para quem não tem projeto; o confronto dispensa o argumento técnico e o plano de governo detalhado, bastando a desqualificação do adversário. Quando o Brasil se pergunta se quer “projeto ou confronto”, a resposta da população nas ruas parece clamar por projeto, mas a oferta nas urnas continua sendo, majoritariamente, o confronto. A política transformou-se em um ringue onde o nocaute do oponente vale mais do que o bem-estar do espectador.
A influência dos governadores e das igrejas, embora legítima em uma democracia, precisa ser analisada sob o prisma da representatividade real. Muitas vezes, estas forças são cooptadas para servir a propósitos de manutenção de status quo. Se 2026 pretende ser o ano da virada, o Brasil precisará de líderes que tenham a coragem de apresentar um projeto de nação que sobreviva ao calendário eleitoral. Sem isso, continuaremos presos a projeções econômicas medíocres e a um sistema político que se renova apenas na superfície, mantendo-se, no fundo, uma estrutura de privilégios e imobilismo.
O horizonte que se desenha após as movimentações de abril não permite complacência. A tensão entre a necessidade de crescimento econômico e a tentação do populismo fiscal definirá a viabilidade do país nos próximos anos. A sociedade civil deve exigir que o período eleitoral não seja uma pausa no desenvolvimento, mas um debate sobre como acelerá-lo. Ao fim e ao cabo, o destino do Brasil não será decidido apenas pelo resultado de 2026, mas pela clareza com que decidirmos, hoje, repudiar o confronto vazio em favor de uma construção institucional sólida e resiliente.
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