
O que presenciamos neste 2 de julho, sob o céu de Alagoinhas, foi algo que muitos cientistas políticos diriam ser impossível: uma trégua sincera em meio à guerra cultural. No “Senadinho de Jenser”, a política não foi servida como um prato feito de ódio, mas como um banquete de convivência. É curioso notar como o sistema teme ambientes assim. O sistema vive do ruído, da tela que brilha e da distância que nos separa. Quando ele percebe que, em uma mesa de bar, pessoas podem discordar sobre impostos, obras e gestões, e ainda assim dividirem a mesma laranja, ele sente o perigo.
A política, no seu sentido mais nobre, é a arte do encontro. Contudo, fomos condicionados a acreditar que o encontro deve ser obrigatoriamente um confronto. A cada quarta-feira, às 18h, quando aquele grupo se reúne, eles estão desobedecendo a um código de conduta que nos foi imposto pelas grandes corporações de tecnologia: o código da segregação. A bolha algorítmica quer que você odeie o vizinho que votou diferente; o Senadinho, em sua simplicidade, apenas ignora esse comando.
Não se trata de dizer que as divergências acabaram — longe disso. O que se observa é o triunfo da empatia civilizada sobre a barbárie partidária. Há uma lição silenciosa aqui: a de que o “outro” é, em última análise, um parceiro de existência, não um obstáculo a ser eliminado. Quando o Dr. Antonio Barreto e o presidente Jenser estruturam esse espaço, eles estão realizando um trabalho de jardinagem. Estão arando a terra da nossa democracia, removendo o cascalho do ressentimento para que algo mais sólido possa germinar.
Aos que insistem que a política é suja, que não tem solução e que tudo é o mesmo, o Senadinho de Jenser apresenta uma resposta viva. Não é preciso ser perfeito, não é preciso concordar em tudo, é preciso apenas estar disposto a sentar, comer, ouvir e respeitar. É um exercício de coragem, porque é muito mais difícil olhar nos olhos de alguém com quem você discorda radicalmente do que digitar um comentário odioso sob o anonimato de um perfil falso. A política real exige o corpo, a voz e o rosto.
Portanto, que o Senadinho siga sendo esse oásis. Que continue a servir de exemplo não apenas para as câmaras legislativas, mas para cada um de nós que, no conforto de nossos dispositivos, esquecemos como se faz para conversar. Se queremos que o Brasil mude, a mudança não começará por uma canetada de Brasília, mas por essa reconstrução microscópica da confiança nos corredores de nossas cidades. Alagoinhas ensina: a independência da Bahia não é apenas um feito histórico, é um exercício diário de liberdade.
O compromisso com a reconstrução da pólis, quando exercido com esta paciência de agricultor e esta disposição para o encontro, torna-se a semente que não apenas rompe a terra, mas que sustenta o solo para as próximas gerações. Ao cultivar o respeito em meio à divergência, o Senadinho de Jenser não apenas celebra o passado, mas planta a esperança de um futuro onde o diálogo não seja a exceção, mas a própria regra da vida em sociedade.
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