
A política brasileira insiste em nos tratar como crianças que precisam de babás, sejam elas travestidas de “salvadores da pátria” ou “protetores dos valores”. O fato é que, independentemente do espectro ideológico, a estratégia é a mesma: a tentativa de nos convencer de que a única escolha possível é a que eles colocam na mesa. Esta é a armadilha do poder, que se alimenta da nossa preguiça mental em buscar além das manchetes fabricadas.
Não se engane: quando nos distraem com guerras, copas e terremotos, eles não estão apenas gerindo a informação; estão gerenciando o nosso desinteresse. A verdadeira mudança não virá de um líder benevolente que trará a solução mágica, mas da massa crítica que, exausta de ser conduzida, decidirá olhar para o lado e notar que existem outras estradas. Não somos obrigados a aceitar o menu que nos oferecem. A soberania reside no direito de, inclusive, recusar as opções postas e buscar o que é verdadeiramente necessário para a nossa dignidade. É hora de parar de tentar mudar o outro e começar a mudar, finalmente, o nosso próprio modo de decidir.
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