
Dizem que o hábito faz o monge, mas em Alagoinhas, o slogan parece ter substituído a própria administração. “Daqui pra frente, para tudo” deixou de ser uma promessa de progresso para se tornar uma descrição literal da gestão atual: parou a limpeza, parou a cultura, parou a decência administrativa. É um feito notável, convenhamos. É preciso um esforço hercúleo para transformar o São João, festa que deveria ser o orgulho e o motor da nossa economia criativa, em uma caricatura cinzenta, desprovida de vida e de gente, onde até os músicos — esses, sim, os verdadeiros donos da festa — seguem a ver navios, aguardando pagamentos que parecem ter se perdido nos labirintos de uma prefeitura que gasta muito, mas não entrega nada.
E o que falar do nosso Legislativo? Ah, a Câmara… O teatro de variedades onde o roteiro é escrito pela conveniência do próximo pleito. Enquanto o lixo apodrece nas esquinas, provando que a gestão não tem sequer um plano de contingência — o famoso subsidio que toda empresa séria possui — nossos nobres edis preferem dançar conforme a música do Executivo, ou trocar de ritmo conforme o interesse da semana. É uma simbiose de ineficiência: um governo que não sabe gerir e uma fiscalização que se tornou, na prática, a correia de transmissão do próprio desgoverno. O resultado? Uma cidade esburacada, literalmente e metaforicamente.
O “batalhão de comissionados”, esse exército de ocupação de cargos por promessas de campanha, dorme tranquilo com o salário na conta. Enquanto isso, o cidadão comum, aquele que paga o IPTU e espera que o posto de saúde funcione e que o caminhão do lixo passe, é tratado como um detalhe incômodo. A meritocracia técnica? Passou longe. Aqui, o critério é a lealdade ao projeto de poder, não à competência de gestão. Alagoinhas não sucumbiu ao passado por acaso; ela foi empurrada para lá por quem não tem o menor interesse em construir o futuro. Viva o “nada para o povo”, pois esse parece ser o único plano de governo que tem funcionado com precisão suíça.
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