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Hélio Liborio

Pitaco

A Toga e o Lodo do Desprestígio

Português

Não há espetáculo mais degradante para uma nação do que assistir aos seus magistrados, em plena bancada, despirem-se da liturgia para vestir a armadura do rancor. O STF, outrora uma fortaleza do pensamento jurídico nacional, vive agora o seu momento de vacuidade institucional. Assistimos, com uma mistura de assombro e desdém, ao desmanche da dignidade do ofício, onde a toga parece pesar mais pelo lodo dos ressentimentos acumulados do que pelo peso da Constituição que deveria proteger.

Estamos diante de uma cleptocracia da autoridade, onde os guardiões da lei se perderam em um labirinto de vaidades espúrias. As farpas trocadas não são apenas palavras; são estilhaços que ferem a fé pública. Que tipo de magistrado, em pleno exercício da sua mediocridade olímpica, permite que suas picuinhas pessoais ecoem mais alto do que a harmonia entre os poderes? É um comportamento anacrônico, quase infantil, em uma casa que deveria ser o último bastião da maturidade democrática.

O tribunal está acuado, sim, mas seu maior algoz não é um inimigo externo, é a própria insignificância da própria conduta. Quando a corte se torna um ringue de boxe de luxo, o povo — esse sonâmbulo da cidadania que mencionamos anteriormente — percebe, ainda que de forma turva, que a justiça deixou de ser um princípio para se tornar uma mercadoria de troca em um balcão de desavenças. O Supremo que hoje vemos é a sombra de si mesmo, um espetáculo dantesco de como a soberba e a falta de ética podem transformar o topo da pirâmide em um esgoto de mágoas, deixando a nação órfã da segurança jurídica que, por direito e dever, deveria ser absoluta e inabalável.

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