
O “Rei” e a Miopia Coletiva Diz o ditado que em terra de cego, quem tem um olho é rei. Em Alagoinhas, o trono parece ocupado por quem domina a arte da autoperpetuação. Não se enganem: não há “cheiro de novo” nesta gestão. O perfume é o mesmo das secretarias de outrora, apenas em um frasco com rótulo de Prefeito. Quando 99% dos quadros políticos permanecem imóveis, a mudança é apenas um recurso de marketing. O atual gestor não herdou um problema; ele ajudou a construí-lo enquanto ocupava as cadeiras do passado.
A Engenharia do “Esquecimento” O Parque Moreira é a prova de que a pressa é inimiga da física. Construir uma Unidade de Saúde abaixo do nível da rua não é apenas um descuido; é um atestado de que o mestre de obra e o encarregado estavam mais focados no relógio da eleição do que no nível do solo. É a política do “faça rápido, para sair na foto, e depois vemos como escoa a água”. Enquanto isso, o viaduto segue com sua fama sinistra e as enchentes no GBarbosa tornam-se eventos sazonais esperados, mas nunca resolvidos.
Casamento de Fachada O que vemos hoje é uma encenação digna de óscar. A “dupla dinâmica” insiste em segurar o pincel, tentando retocar um quadro cujas sequelas são profundas demais para o verniz da propaganda. O divórcio político é evidente nos corredores, mas a conveniência de morar no mesmo teto administrativo fala mais alto. No final do dia, a população fica com as promessas, e a cidade, com as rachaduras. Resta saber até quando a estética da ostentação conseguirá esconder o RX de uma gestão que se tornou prisioneira do próprio espelho.
Diante do exposto, torna-se imperativo que a administração de Alagoinhas saia do campo da simulação política para o terreno das soluções efetivas. A persistência de problemas estruturais em áreas críticas não pode ser mais justificada pela herança de gestões anteriores, visto que os responsáveis atuais são, em essência, os mesmos de outrora. Somente através de uma renovação real, não apenas de nomes, mas de práticas e visões, Alagoinhas poderá superar as sequelas de uma gestão que parece mais preocupada com a imagem do que com o bem-estar do cidadão.
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